A história mostra o quanto não se valoriza os artistas da cidade. Nesta foto, Rômulo Ras com o saudoso Seu Cardoso, mestre no cavaquinho e que jamais foi lembrado pelo tanto que representou na música. Nem pelos políticos e nem pela sociedade.
sexta-feira, 29 de maio de 2009
“Artistas de Monlevade não têm espaço da imprensa local”
A afirmativa é do cantor e compositor Rômulo Ras, popular “Rominho”, dita na noite dessa quinta-feira durante uma rodada de cerveja no Kiko´s Bar. Segundo ele, a mídia da cidade dá pouco destaque aos artistas locais, e que é preciso criar uma identidade no sentido de apoiar mais esse grupo.
Sinceramente, eu concordo com o Rominho. É uma questão cultural. E vou aqui dar um exemplo: durante os anos em que trabalhei na Rádio Cultura, era rotina levar em meus programas vespertinos músicos como o próprio Rominho e o grupo “Afilhados do Sereno”, a já saudosa Neide Roberto, Julinho, Geraldo “Di Noite”, Luiz Cássio, Sérgio e Delson, o senhor João Félix e tantos outros. Isso hoje é coisa rara justamente porque os nossos profissionais de rádio não se preocupam em valorizar esses artistas, de nossa cidade. Fica o aviso.
Falando em valorizar…
Depois de muita polêmica em torno da homenagem tardia prestada à Neide Roberto, vou aqui dar um alerta: que dia o músico João Félix recebeu alguma homenagem de nossos homens públicos? Trata-se de uma pessoa ímpar, pura e de uma sensibilidade somente presente nos grandes artistas. Reside ali à Rua 32, no bairro Areia Preta. Funcionário aposentado da saudosa Belgo-Mineira, tem como paixão a música e seu Bandolim. Os filhos, por herança, são todos músicos, entre eles o saudoso Zély. E tive o privilégio de homenageá-lo anos atrás em uma matéria que fiz no jornal “A Notícia”, com o cidadão e músico João Félix. Sempre sorridente e de boa prosa, anda meio afastado, talvez pelo cansaço da idade. E que diz irão lhe prestar uma homenagem, senhores vereadores?
terça-feira, 26 de maio de 2009
João Buracão no Santa Bárbara
Para Nilza e Raoni
Quero aqui postar duas fotos da despedida da grande cantora e amiga, Neide de Souza Roberto. E foi assim, ao som de música; do sopro, das cordas e da percussão. Entre irmãos, sobrinhos, amigos e admiradores. Sem políticos, sem demagogia. Simples como era esta maravilhosa mulher. E a sua voz ecoará pelos cantos do Universo e veremos mais uma estrela no céu.
Dedico a dois amores de Neide Roberto: o sobrinho Raoni e a irmã Nilza. Minha amiga e cantora, um grande abraço, e que possa aí em cima se encontrar com o saudoso Severino Miguel e, juntos, cantarem uma linda canção brasileira para São Pedro.
Rede Minas continua fora do ar
A Hipocrisia anda lado a lado de nossos políticos
Gratidão é algo que se deve levar para o túmulo. Afinal, entre as más qualidades, a pior delas é a ingratidão. É saber que alguém nunca se importou por esse ou aquele favor. É sentir na pele o prato cuspido e escarrado depois que o mesmo lhe deu alimento. É ser renegado mesmo depois do dever cumprido. É não ouvir a palavra mágica: “muito obrigado”! É fazer de conta que não está acontecendo nada... Como diz uma música de Herivelto Martins, “conseguiste magoar quem das mágoas te livrou. E acima de tudo atiraste uma pedra turvando esta água, esta água que um dia por estranha ironia tua sede matou”...
E foi com esse sentimento que vi descer ao túmulo o corpo daquela que mais representou João Monlevade com sua arte. Cuja voz ecoou por tantos cantos deste Brasilzão. E a nossa terra pode ter gerado até artistas mais famosos, mas nenhum representou mais a nossa cidade do que esta já saudosa negra, a maravilhosa Neide de Souza Roberto, que nos deixou na última sexta-feira, aos 66 anos de idade. E o meu sentimento era uma mistura de dor e desilusão pela ingratidão dos homens públicos desta terra, que foram tão ingratos durante a despedida de nossa cantora. Não vi ali durante o féretro e muitos menos no cemitério do Baú – onde o corpo de Neide foi sepultado – nenhuma cara de político. Ausente o prefeito Gustavo Prandini e ausentes também os 10 “nobres” vereadores. Aliás, os mesmos que, com décadas de atraso, prestaram uma homenagem à grande cantora na semana passada, quando a mesma já se encontrava no leito de morte. Esses homens, esses políticos, que andam lado a lado com a hipocrisia. Não vi também o ex-prefeito Carlos Moreira e nem o deputado Mauri Torres, outros ingratos, que viraram as costas e cuspiram no mesmo prato que comeram. Atitude de pessoas ingratas.
Pois é, mas estávamos ali pouco mais de cem pessoas naquela manhã de sábado para nos despedirmos de Neide Roberto, a nossa maior estrela. A família, amigos e admiradores. Mas nem 10% do que merecia a cantora pelo tanto que ela representou e representará para João Monlevade, para o meio artístico e para a nossa cultura. Bajulações de políticos com objetivos eleitoreiros, nada mais. Sentimentos paridos pela razão e jamais pelo coração, quando resolveram brincar com a dor dos outros através de artifícios politiqueiros e demagógicos.
Mas talvez isso – a prática da injustiça – faça parte da rotina da vida, quando ganham nomes de ruas e avenidas, ou são agraciados com títulos de Cidadania Honorária os “Valdemares das Couves”, jargão este criado por Wilson Vaccari para ironizar homenagens a pessoas que nada fizeram para João Monlevade. Enquanto as neides e tantos outros que tão bem representam a nossa terra, somente são lembrados após a morte, ou no leito dela. Os nossos políticos valorizam muito mais aqueles que trazem ganhos políticos e financeiros.
Mas, apesar de tudo, acredito que o caso Neide Roberto sirva como exemplo para que outras injustiças não sejam cometidas.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Este Veríssimo... Sempre perfeito...
E tudo mudou...
O rouge virou blush
O pó-de-arroz virou pó-compacto
O brilho virou gloss
O rímel virou máscara incolor
A Lycra virou stretch
Anabela virou plataforma
O corpete virou porta-seios
Que virou sutiã
Que virou lib
Que virou silicone
A peruca virou aplique, interlace,
megahair, alongamento
A escova virou chapinha
'Problemas de moça' viraram TPM
Confete virou MM
A crise de nervos virou estresse
A chita virou viscose.
A purpurina virou gliter
A brilhantina virou mousse
Os halteres viraram bomba
A ergométrica virou spinning
A tanga virou fio dental
E o fio dental virou anti-séptico bucal
Ninguém mais vê...
Ping-Pong virou Babaloo
O a-la-carte virou self-service
A tristeza, depressão
O espaguete virou Miojo pronto
A paquera virou pegação
A gafieira virou dança de salão
O que era praça virou shopping
A areia virou ringue
A caneta virou teclado
O long play virou CD
A fita de vídeo é DVD
O CD já é MP3
É um filho onde éramos seis
O álbum de fotos agora é mostrado por email
O namoro agora é virtual
A cantada virou torpedo
E do 'não' não se tem medo
O break virou street
O samba, pagode
O carnaval de rua virou Sapucaí
O folclore brasileiro, halloween
O piano agora é teclado, também
O forró de sanfona ficou eletrônico
Fortificante não é mais Biotônico
Bicicleta virou Bis
Polícia e ladrão virou counter strike
Folhetins são novelas de TV
Fauna e flora a desaparecer
Lobato virou Paulo Coelho
Caetano virou um chato
Chico sumiu da FM e TV
Baby se converteu
RPM desapareceu
Elis ressuscitou
Gal virou fênix
Raul e Renato,
Cássia e Cazuza,
Lennon e Elvis,
Todos anjos
Agora só tocam lira...
A AIDS virou gripe
A bala antes encontrada agora é perdida
A violência está coisa maldita!
A maconha é calmante
O professor é agora o facilitador
As lições já não importam mais
A guerra superou a paz
E a sociedade ficou incapaz...
... De tudo.
Inclusive de notar essas diferenças


